terça-feira, 15 de julho de 2008
ABRAÇOS E BEIJOS
Incomodam porque não são possíveis desse modo - vazios.Façamos assim: quando estiveres longe de mim, manda-me beijos, borboletas coloridas, alegres trinares...Quando estivermos juntos, abraça-me: de verdade.Abraço que me permita concordar em abraçar-te também. Abraça meus olhos com os teus. Então sentirei que és real e palpável.Se não fores capaz, respeitarei de bom grado teus limites.
Dá-me um beijo na testa, que entenderei teus temores e não te farei perguntas.
Ainda assim, serás, para mim, um amigo adorável.
sexta-feira, 4 de julho de 2008
PAPAGUEIOS
Talvez porque eu seja uma escorpiana passional, prefiro sentimentos sussurrados ao pé do ouvido...porque são tímidos, mas francos; porque necessitam de coragem para serem verbalizados, porque às vezes sangram, de tão sinceros. Como tatuagens - permanentes, assumidos. Com palavras constroem-se jogos - com sentimentos, tecem-se rendas.
Gosto de brincar com palavras. Mas não brinco com sentimentos.
Por trás das palavras tem alguém que pensa.Por trás dos silêncios tem alguém que sente.Às vezes leio e respondo.às vezes olho e me calo.Quando respondo, estou pensando.Quando silencio é porque estou refletindo sôbre o alcance do que me falas.Se falas por teu coração, te escuto.Se falas por bocas alheias, busco entender porque te escondes.Palavras...apenas palavras. Palavras, frutos da mente. Quem pensa, mente.Quem cala, sente.
sábado, 17 de maio de 2008
ESPELHO DAS ÁGUAS
No espelho das águas, eu amo por seu amor e vc ama o amor em mim.
Colho flores para que vc as cheire e eu me embriague com seu perfume.
Tão louco o espelho das águas...
Ninfas e faunos disfarçados de peixes e sereias, criamos sonhos coletivos para sonharmos juntos.
Tão sós em nossos pensamentos, tão tribais no mundo onírico...
Tão adoravelmente loucos, nossos delírios...
Que lindo é viver envolto em poesia, nessa orgia de sentimentos inofensivos, contagiantes, líricos...
Nesses encontros noturnos, de amigos tão queridos, de trocas tão inocentes, despidos de identidade,somos espelhos de água, em todos, nos refletindo...
terça-feira, 1 de abril de 2008
PRECISAS SABER
angústias, mas serenidade;
nem decepções, porque não vive de expectativas, mas de aceitação.
Que o Amor verdadeiro é incondicional: não estranha, não critica, não questiona.
E, quando não sabe o que fazer, silencia. Reflete e conduz à reflexão.
Amigos são cúmplices mesmo quando discordam, por simples questão de fidelidade.
Choram a dor do outro, riem à sua alegria, consolam suas tristezas em abraços apertados.
Caminham de mãos dadas apoiando-se mutuamente pelas curvas do caminho.
O Amor colore a Amizade com nuances de variadas emoções: rosa de ternura, verde de esperança, azul de paz, amarelo de alegria, laranja de confiança, lilás de solidariedade, vermelho de vitalidade, branco de plenitude.
Amigos olham-se nos olhos num encontro profundo de sensibilidades.
A Amizade e o Amor consolidam-se na presença e na construção da intimidade.
Na naturalidade com que buscam e oferecem colo.
Assim escrevem sua história e traçam um doce caminho, sem dúvidas, sem percalços, sem tropeços. Doam-se e se multiplicam. Em gestos de afeto, em suave companhia.
A Amizade e o Amor fundem-se na alma, de onde se originam.
E nunca têm fim.
Assim é, se for pra valer.
Com entrega e sentimento. Com intensidade e permanência.
Com carinho e paciência.
segunda-feira, 17 de março de 2008
sobre como ele pensa que é...
Em seus sonhos, navega além-mar, comandando um grande navio.
Enfrenta as águas revoltas, às vezes, as calmarias e vai assim aprendendo que todas as fantasias têm contraponto na chuva, no vento e na poesia.
Chegando em terras longínquas, espanta-se com prodígios:dragões que cuspiam fogo, mendigos de mãos vazias que apesar do frio e da fome, ainda sorriam.
Seus olhinhos assustados não podiam crer no que viam: mulheres barbadas, anões, prostitutas, bugios, em danças burlescas, mentiam que eram felizes em meio àquela orgia.
Montou um cavalo alado e fugiu apavorado, pois nada daquilo era compreensível para um simples menino de beira de rio.
Doíam seus pés descalços, pisando as folhas secas espalhadas no caminho.
Dormiu ao relento, sob estrelas de néon, comeu o pão que o diabo amassou, chorou de medo, colecionou conchinhas, falou com desconhecidos que cuspiram sobre ele “verdades e sabedorias”. Confuso, seguiu seu caminho.
Fez e perdeu amigos, cantou e vestiu fantasias, berrou em prol de anistia, tentou entender de música, dançou no meio da praça, agarrado a uma vadia, provou do Bem e do Mal, só pra ver se entendia.
Parou na frente da igreja e ouviu uma ladainha, mas o Deus não se fez visível e ele se foi, então, em busca de novo destino.
Muitos anos se passaram nesse passeio onírico, muitos em pesadelos horríveis, outros, um pouco mais pacíficos e mesmo assim ele não desistia.
Amou, foi e não foi amado, enlouqueceu de alegria, curou-se com água fria.
Um homem, de largas sandálias, caminha pelas ruas do Rio. Varrendo as folhas secas para debaixo do tapete, falando poesia...
O som do sino da igreja lembra o Deus não revelado e ele pisa as conchinhas espalhadas na areia. Do cavalo alado, restaram as rédeas, vazias.
Onde deixou seu navio?
Quando o vento sopra, ele muda e cria seus personagens que dançam danças burlescas, cavalga amores fantasmas, apaixona-se por si mesmo e ri de tanto chorar.
Procura quem se disponha a segui-lo sem sapatos, no longo caminho de volta dessa sua alma vadia ao ponto na beira do rio que liberte sua inocente poesia escrita em folhas verdes brotadas ao som de sinos, alguém que o cubra de beijos até que abra as asas e pegue de volta o caminho de sua sina e desperte na beira do rio.
Só pra entender que é divino, que brilha em todas as cores, que o que existe é o que ele cria em seus acessos de fúria quando apenas faz o que acha que deve, limitando-se ao que pensa que pode, chorando sem fantasia, nu, no meio da praça.
A inocência talvez ainda seja o seu maior pecado.
sobre "Uma rasteira do amor"
que nos confunde e escraviza
na teia de ilusões em que nos envolve.
Coração é guardião de nossos sentimentos legítimos,
e neles está a nossa Verdade.
Sentimentos pulsam involuntariamente:
sístole, diástole...
bem-me-quer, mal-me-quer...
quero, devo..
desejo, desdenho...
vítima, algoz.
O Amor verdadeiro confere coragem e é convicto:
por ele desnudam-se o corpo e a alma
e mergulha-se até o fundo do abismo sem medo do perigo.
O que importam a solidão, o frio, o silêncio,
quando busco o meu bem-amado?
Ao inferno desceria, sem pestanejar, se lá ele estivesse.
Não choro por amor – choro por covardia.
Não choro pelo que não consegui – choro pelo que não tentei.
Não construo castelos, porque são frágeis – cavo poços,
de onde brote água limpa para me aplacar a sede da Verdade.
Sentimentos são potentes – nem todos os objetos deles são confiáveis...
Ao beija-flor, não importa que roubem suas flores
– basta que lhe poupem o bico.
O mundo é um vasto jardim cheio de flores
e o beija-flor inteligente poupa-se das que têm espinhos...
Lembre-se, meu amigo: se o galho quebra
ou é porque o macaco está muito gordo
ou porque pensa que é uma borboleta...
em ambos os casos, a responsabilidade e a ilusão
são dele.
Se queres preservar teu coração do sofrimento
não o deixa exposto, à beira do rio, ao alcance de qualquer um..
E, quando tiveres coragem,
pergunta-te o que realmente queres de ti mesmo
e busca dentro dele a tua resposta mais sincera.
Só que, então, não te iludirás mais,
E não mais poderás esconder-t ede ti mesmo
sob as asas da emoção..
porque a Mente mente, mas o Coração, não!.
Sobre GOSTAR
Desculpa-me se te questiono de forma tão direta,
mas juro-te, meu amor: não creio.
A ilusão da posse é o maior de todos os desafios
que a alma humana enfrenta diante de si mesma
na busca incessante do fim de suas dores mais intensas.
Gostar é um sentimento morno,
`a conveniência de quem não se arrisca...
O prazer se dá ao transbordar na pele o suor dos bailarinos,
no choro causado pela não reciprocidade de nossos sentimentos,
na espera interminável do gesto de amor que nunca é esboçado,
nos rituais dolorosos de ânsias não cumpridas,
na exaustão contundente dos corpos saciados.
O espetáculo dos arcos-íris conecta teu carinho ao peito do ser amado,
mas, assim como na estória, o pote de ouro jamais será encontrado...
pois diante da inconstância do vento, nada é definitivo:
ele sobrevive do movimento, do ir e vir entre os desejos,
da dança brejeira de suas inúmeras facetas,
por puro deleite, por mero capricho.
No mais, tudo é tédio e melancolia...
Quando o sol derramar sob seus raios tuas frágeis emoções,
sentirás o ardor na pele e apressar-te-ás em lamber tuas feridas
e maldirás o sol que te atormenta roubando-te as doces delícias
que desenhas no ar, com frases tão floridas,
mas que não ousas tatuar no corpo, escancaradas, à vista...
Teus sentimentos nunca terão retorno
pois brotam de ti e seguem em via de mão única.
E assim, nesse roteiro, meu amor, te digo:
nunca chegarás à esperada festa.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
COMO FOLHAS AO VENTO
Num vento morno de verão
encontrei teu coração brilhando e sussurrando poesias...
e em suaves rodopios, trocamos cálidos versos.
Palavras de suaves vozes que ouvimos
ao longo de tantos caminhos.
Gosto de ouvir teu riso menino borbulhando histórias,
de descobrir teus olhos revelando segredos...
Quando não contas, percebo, adivinho.
Guardo por ti uma amizade cúmplice:
um carinho irmão de quem apenas sente e que não dá um pio.
Deixo o pensamento vadiar macio pelas frestas dos sonhos,
pelas curvas dos rios.
Como folhas ao vento dançamos, sem ligar ao ritmo,
volteios trêmulos e um tanto tímidos.
Teu riso, cortina de luz, conduz-me à fantasia
e entregue ao teu encanto, tonta, perco o fio.
Nossos breves encontros nesse redemoinho
são como brindes com taças de alegria:
som de cristal, bebida que arrepia.
Então foges de mim e eu, de ti
Como folhas ao vento, seguimos nesse doce desmaio
dos acasos, da folia, do sonho, das escolhas tardias,
dos acenos leves de quem, um dia, voltará a si.
Trocamos nossos versos suaves,
com o coração aos rodopios,
sussurrando nossas vozes mornas
brindando à melodia, à vida, à poesia
brilhantes, cúmplices, sentidos,
alucinados, vadios
por enquanto sopre um vento de verão ainda.
sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008
...a vida
Acarinha seus filhos e amamenta-os de sonhos.
Embala-os nos braços ternamente, ninando-os com o som do coração.
Se queres saber da Vida , apenas ouve e observa o ritmo com que ela respira.
Daí virão teu alento e tua compreensão.
VIDA
E , em cada um, poder brincar, sapeca como criança,
mantendo um entusiasmo adolescente em tudo o que fizer
e, com a sensatez que a maturidade me confere,
ter muito prazer e, de preferência, nenhuma dor.
Quero poder envelhecer naturalmente,
com os olhos brilhando, o corpo bem cuidado
a mente tranqüila e o coração sempre enamorado da vida,
para que ela, quando me abandone o corpo,
deixe em meu rosto uma expressão suave
e um sorriso sereno de quem bem viveu e foi feliz.
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
NOTURNO
Um gemido, um grito, chamei seu nome.
Indignada, ferida, no meio da noite.
Solucei, sozinha, todos os meus medos
Caminhei descalça, madrugada afora
Alimentei a dor com um sorriso triste
Rasguei a fronha, corri para o chuveiro
Lavei de mim seu gosto, mas fiquei com o cheiro
Ouvindo a chuva cair sobre o seu peito
Silenciei, vencida, no seu travesseiro.
Amanheceu depressa um sol meio sem graça
Nublado de cinzas sob o céu estreito
Deixei o corpo olhar pela janela
Rolei na cama cheia de preguiça
Argumentei com os botões dos seios...
De onde vinha tanta fantasia?
E quanto havia, enfim, de verdadeiro?
Ri de mim, de você, de tudo isso
E levantei alegre como um passarinho
"Isso é loucura! Não mexa assim comigo!"
Sossegue, amor, é só mais um carinho!
Rsrsrsrsrs.....
...quando precisar de mim...
Meu corpo conheceu o teu quando a Lua, cheia, ofereceu em seu lençol de luz,
um leito perfeito aos nossos corpos nus.
Meu anjo abraçou o teu quando a Lua, minguante, escureceu o céu e nos encheu de medo.
Quando a Lua, nova, se esconder, só restará o mundo, então, real.
Aí eu vou fechar os olhos..., ouvir um pouco de Piazzola..., me embriagar de vinho,
dormir... e vou sonhar com a lua, pois só assim estarei contigo e não mais precisarei de ti.
